@MASTERSTHESIS{ 2026:951465148, title = {Bertoleza no espelho do cortiço : interseccionalidade e circulação do romance no século XIX}, year = {2026}, url = "http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/9858", abstract = "O presente trabalho tem como objetivos centrais investigar a circulação do romance O Cortiço nos jornais oitocentistas e analisar a personagem Bertoleza, ambos a partir de uma perspectiva interseccional, considerando os marcadores de raça, classe e gênero. Para alcançar tais objetivos, foram adotadas duas frentes metodológicas: a pesquisa documental, com levantamento e análise de fontes primárias extraídas da Hemeroteca Digital Brasileira, e a pesquisa bibliográfica, voltada à fundamentação teórica da abordagem interseccional. A análise ancorou-se em autores como Barbosa (2007), Azevedo (2015; 2019), Mendes (2019), Collins (2022), Crenshaw (2002) e Akotirene (2019). Os resultados apontam para uma circulação ambivalente da obra no período de sua publicação: embora o talento do autor fosse amplamente reconhecido — com O Cortiço sendo frequentemente apontado como seu romance mais bem acabado —, diversas críticas manifestavam incômodo com a crueza da narrativa e com a exposição de aspectos considerados degradantes da vida nos cortiços. Quando observadas sob a ótica da interseccionalidade, essas críticas evidenciam não apenas preferências estéticas, mas também a reprodução de hierarquias sociais e simbólicas. A atenção concentrada em personagens masculinos, brancos e europeus, como João Romão e Jerônimo, contrasta com o silêncio quase absoluto em torno de Bertoleza e de outros sujeitos racializados e femininos, revelando como a crítica jornalística do século XIX reforçava os marcadores de poder que atravessavam a própria sociedade. No que diz respeito à análise da personagem Bertoleza, a teoria interseccional possibilita uma releitura profunda e descolonizadora, deslocando-a do lugar periférico a que a tradição crítica frequentemente a relegou para o centro da narrativa de O Cortiço. A partir dessa perspectiva, torna-se possível compreender que a personagem não é uma figura secundária, mas um ponto de convergência das opressões estruturais que definem o Brasil do século XIX, sendo seu corpo, sua trajetória e seu destino representações concretas das dinâmicas de raça, gênero e classe que organizam tanto o espaço social quanto o imaginário literário da época. Dessa forma, esta dissertação busca não apenas contribuir para a fortuna crítica da obra de Azevedo, mas também oferecer uma leitura que articula literatura e crítica social, resgatando vozes silenciadas do cânone e evidenciando a potência analítica da interseccionalidade na releitura de personagens marginalizadas. Ao incorporar a circulação da obra nos jornais do século XIX, a pesquisa contribui ainda para a historiografia literária brasileira, iluminando os modos pelos quais a circulação e a apropriação de obras em periódicos influenciavam a construção de sentidos e a consolidação do campo literário nacional.", publisher = {Universidade Federal Rural de Pernambuco}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem}, note = {Unidade Acadêmica de Educação a Distância e Tecnologia} }